A morte de dois cachorros

Esquecidos dentro do carro

No dia 17 de agosto de 2012, os dois cachorrinhos da advogada Luzilda Gonçalvez, Spinner (Yorkshire de 8 anos) e Blanc (Shih Tzu de 3 anos) foram a óbito por terem sido esquecidos no veículo de transporte do Pet Shop Petstore Belém.

Esse caso trouxe a público os riscos de deixar o cachorrinho ser transportado em veículos pertencentes a terceiros.


Luzilda diz que seus cachorros iam ao pet shop todas as semanas para tomarem banho. 

Normalmente ela os levava no carro da família. 

Mas havia alguns meses o serviço era feito pelo veículo da própria empresa, que o disponibilizava para levar e, depois, devolver os cachorrinhos após o banho.
Naquele dia, Spinner e Blanc foram levados dentro de uma caixa de transporte.

O carro foi estacionado em frente ao pet shop, na rua. O funcionário os teria deixado dentro do automóvel e "esquecido".

Os animais não resistiram ao forte calor e faleceram por asfixia e, provavelmente, hipertermia.


A advogada não estava em casa quando o dono da loja a procurou para informar acerca do falecimento deles. 

Luzilda recebeu a notícia por telefone, 5 horas depois. Não se sabe por quanto tempo os cães foram deixados dentro do veículo, até que alguém percebesse.

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Luzilda procurou a delegacia e registrou uma queixa-crime, na esperança de que os donos da loja respondessem por maus-tratos aos animais. 

Segundo prevê a lei federal 9605/98 em seu artigo 32, os proprietários da Petstore Belém, se responsabilizados, poderiam ser condenados a até 3 anos de detenção, e a ainda ao pagamento de uma multa.



A loja teria procurado resolver o caso, oferecendo à advogada dois filhotes da mesma raça, com pedigree e um ano de despesas veterinárias e de alimentação. 

Ela, no entanto, classificou a oferta como "imoral e indecente", afirmando que "jamais aceitaria".

Os proprietários do pet shop informaram que o funcionário teria sido demitido por justa causa. Em uma carta aberta, disseram-se "solidários com a família" e que "lamentavam o fato ocorrido".


Esquecimento é comum

Não é incomum animais serem esquecidos dentro de carros.

O que acontece é que, dependendo do dia, da época do ano, do modelo do veículo e do fato das janelas estarem abertas ou fechadas, a temperatura no interior pode chegar a valores perigosos.

Recentemente em estudos no Centro de Segurança da General Motors (EUA), verificou-se que, em dias com a temperatura ao redor de 27 graus, o interior de um carro estacionado ao sol pode atingir 49 graus em 30 minutos. Chega a 60 graus em duas horas.
O médico veterinário Júlio Fernandes, consultado pelo jornal O Impacto, de Belém, diz que esses animais, como os cachorros ou gatos, não tem um sistema de transpiração muito eficaz. 

Por terem menos glândulas sudoríparas, eles realizam a troca de calor apenas pela respiração. Isso os deixa em desvantagem quando expostos a altas temperaturas.

O cachorro, explica o veterinário, possui glândulas sudoríparas apenas nos coxins (almofadinhas das patas).

A respiração é a única forma de regular sua temperatura.


Não há maneira de resistir a calor tão intenso

Mas dentro de um veículo exposto ao sol, essa troca de calor é inexistente, e o organismo do cãozinho entra em colapso, quer pela asfixia ou pela hipertermia.

Em vista disso, apresentamos 3 dicas para quando você tiver que deixar seu cachorro no carro:

1) jamais deixe seu cachorrinho dentro de veículos fechados durante muito tempo;

2) procure utilizar alguns truques de memória para não esquecer do animalzinho. Amarre um barbante no dedo, uma fita adesiva, anote um lembrete com a caneta na palma da mão, ou ainda, coloque um aviso no celular;

3) hidrate-o antes e depois.

Os cuidados necessários

Casos como esses levantam dúvidas sobre os cuidados que os nossos animaizinhos estão recebendo nesses pet shops.

É desnecessário dizer que devemos prestar atenção à qualidade do serviço, aos cuidados que os funcionários dispensam aos bichinhos e à existência ou não de um veterinário habilitado no recinto.

O que acontece é que algumas informações dificilmente poderão ser conferidas de forma real. 

Na presença dos donos, todos os funcionários desses estabelecimentos sempre são afetuosos e competentes. O problema acontece quando damos as costas, quando não mais estamos no local.

No entanto, para não nos sentirmos tão indefesos, existem algumas atitudes pró-ativas que podemos assumir.

Veja 3 dicas para você se sentir mais seguro quando seus bichinhos vão ao pet shop:

1) verifique se o funcionário que os buscou em sua casa é novo ou contratado recentemente.

Funcionários antigos têm a organização das tarefas já definidas na mente, enquanto que os contratados recentes ainda precisam se organizar;

2) aguarde o tempo necessário para que o motorista dirija até a loja, e ligue para o pet shop para saber se tudo está bem. Isso evitará que os cachorrinhos sejam esquecidos;

3) Após decorrer o tempo necessário ao banho ou à tosa, entre em contato novamente e verifique se tudo ocorreu bem.

Quando agimos com previdência, fica mais fácil evitar situações como essas. 

Mas, acima de tudo, a melhor dica é observar bem onde e com quem deixamos nossos bichinhos, pois nada pode nos consolar da perda dos nossos melhores amigos.

Até breve!