Cachorros Tratados como Bebês

Cachorros como membros da família?


Muita gente acredita que tratar seus cachorrinhos como um filho é a melhor forma de interagir com eles. 

Realmente, determinadas raças de cachorros se parecem muito com bebês (às vezes até se comportam da mesma forma), principalmente cachorros pequenos.

E afinal, como um membro da família ele deve ter seu lugar à mesa, seu cantinho na cama, no sofá, etc. Mas será que ele não deveria ficar na casinha de cachorro?


Não é incomum a opinião de um cachorro ser levada mais em conta do que a dos membros humanos de determinadas famílias. Filhotes de cachorro parecem tão fofos que deixamos eles fazerem o que quiserem na casa.



A verdade é que desde que os direitos dos animais começaram a ser levados mais a sério, a sociedade vem evoluindo no sentido de protegê-los com maior afinco. 

As pessoas hoje em dia, em sua maioria, não pestanejariam em se por em risco em defesa de um cãozinho, embora, talvez, pensassem duas vezes antes de se arriscarem por uma pessoa desconhecida.

O que é aceito pelos principais estudiosos, no entanto, é que o demasiado apego emocional aos bichinhos pode ser muito prejudicial à saúde deles. Principalmente quando se fala em adestramento de cães.

Cachorros

Cachorros são animais de matilha. Explica-se: embora tratados como filhos, os cães ainda vêem o mundo - e seu círculo familiar, mais especificamente - como sua matilha. Para eles a vida é, e sempre será, dominada por seus instintos mais básicos. Podemos ensinar-lhes algumas regras, comportamentos e treinamentos, mas o que os torna cães é o apego milenar aos instintos de matilha.

Sempre que um cão é inserido em uma nova matilha, ou seja, adotado por uma família, deve descobrir em qual posição hierárquica se encontra. Dessa forma, se for fácil para ele descobrir qual sua posição, tanto mais fácil será se encaixar.

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E esse ponto é indiscutível, não existem exceções a essa regra.

Agora, a única forma que um cão tem para descobrir sua posição é desafiando os outros membros da matilha, até aceitar a posição que esta lhe indicar. 

Se compreendemos que a matilha somos nós, e que ele nos desafia para que o coloquemos no seu devido lugar, fica fácil perceber que toda vez que um cachorro se comporta como não deve, e obtém, ao invés de repreensão, carinho e aceitação, seu comportamento errado está sendo premiado. 

Isso o encoraja a ocupar cada vez mais espaço e a desafiar os verdadeiros chefes da matilha, seus donos.

Cães com histórico de agressividade exacerbada são, quase sempre, animais que não conseguiram descobrir qual a posição social que ocupam na sua família, por terem sido encorajados a agir de forma errada. 

Claro que ninguém em sã consciência irá adestrar seu cachorro para ser um cão terrorista. Mas a aceitação de pequenas atitudes erradas o fazem crer que ele está no caminho certo. O agravante desse comportamento é que com o tempo ele tende a piorar, chegando ao ponto de fugir ao  controle, se ele tiver temperamento de cão-alfa.

Filhotes de cachorro

Se você adquiriu um cão ainda filhote, o adestramento é algo bastante fácil. Desde pequeno ele deve saber seu lugar. Filhotes, assim como crianças, irão testá-lo para saber até onde podem ir. Alguns cães são mais persistentes do que outros, e irão dar um pouquinho mais de trabalho.

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Estabeleça limites de território, escolhendo alguns para serem "proibidos" a ele. Não aceite comportamentos que lhe pareçam errados, como os latidos em demasia, a destruição de móveis ou a agressividades às visitas.

Lembre-se, pode parecer maldade estabelecer regras a um cãozinho, mas se ele estivesse em sua matilha original, certamente essas regras seriam ministradas através das mordidas severas dos membros mais velhos.

O objetivo é que ele saiba que há regras a serem seguidas.

Cães adultos.

Ao se adquirir um cão adulto, deve-se antes de tudo observar algumas características, tais como: se há crianças, qual o número de membros da família, se se mora em um apartamento ou em uma casa. 

Lógico, é bom observar essas situação até mesmo se você vai adquirir um cãozinho novo. Mas é fundamental observá-las, se vai adquirir um cão adulto.

Cachorros mais velhos já possuem sua visão do mundo. Já têm hábitos arraigados, muitas vezes, e alguns vícios. Dependendo de onde ele vem (de um canil público, por exemplo) pode ter sido vítima de maus-tratos e ter desconfiança e prevenção contra humanos.

Cães adultos não devem ser confrontados diretamente. Ao contrário, devem ser conquistados aos poucos, com paciência.

É fundamental estabelecer limites e horários. Trate-o com respeito e carinho, mas seja firme quanto a suas atitudes erradas. Tenha em mente sempre que ele ainda não conhece os limites daquela família, nem seus hábitos. 

Ele deve ser corrigido tão logo faça algo errado, para que possa compreender onde errou.

Aqui, nem sempre a estratégia dos petiscos funciona bem. Ao contrário, um "não" firme pode dar melhores resultados, pois os cães compreendem com facilidade nosso tom de voz.

Em todas as suas atitudes deixe claro que ele é apenas um membro daquela matilha, não o chefe. Pode parecer estranho isso, mas como muitas pessoas adestram frouxamente seus cães, ou até mesmo não os adestram, eles acabam achando que mandam na família, confrontando todos os outros membros e gerando grande estresse que pode até causar -lhes doenças.

Um cachorro pode amar profundamente sua família, mas ainda assim vai mostrar os dentes e atacar qualquer um que agir diferentemente do que ele espera. Por isso a importância do adestramento de cães.

Dentro da família.

Sentindo-se seguro na posição que irá ocupar dentro da família, o cachorro estará aliviado, pois a busca pelo seu lugar é algo estressante e lhe causa muita fadiga e desgosto. Basta observar uma matilha em seu habitat natural, onde veremos os cães defrontando-se entre si, machucando-se seguidamente, às vezes de forma brutal.

É natural deles confrontar seus iguais até estabelecer sua posição. E depois disso, eles irão tentar manter essa posição de maneira feroz, em confrontos constantes. O mínimo que podemos fazer é ajudá-los a encontrá-la, preservando-os de ter que descobri-la de forma violenta.

Ao tratar um cão como gente, nós roubamos o que de mais importante ele tem: sua natureza canina. E o que damos em troca? Nossa natureza complexa e contraditória. 

Não por acaso muitos cachorrinhos ficam irritadiços, atacando e mordendo as outras pessoas. Às vezes o animalzinho está tão confuso que não aceita a aproximação de outros cães, por não reconhecer mais a própria espécie.

É nossa obrigação tratá-los como cães. Afinal, é justamente por não serem humanos que nós dedicamos tanto carinho a eles. Por que tentar mudá-los?