Idoso com hipotermia não abandona o cachorro

Lealdade humana

Muito se fala na lealdade canina, mas eventualmente encontramos, também, relatos de lealdade humana em ação.

Nestes dias de chuva, frio e enchente no sul do país, um idoso de 83 anos se recusou a sair da casa para buscar ajuda, pois não conseguiria levar, também, o Urso, seu mascote há 6 meses.

Com as fortes chuvas, Washington Couto da Rosa, morador da cidade de São Sebastião do Caí, no Rio Grande do Sul, ficou ilhado na própria casa alagada, sofrendo com uma temperatura próxima de 0°C.

Ele percebeu que não conseguiria levar Urso, um vira-latas, pelas ruas alagadas da cidade, então preferiu aguardar ajuda abraçado ao animal, durante 2 dias.

A água que entrava na casa já estava pelos joelhos.

O Corpo de Bombeiros foi acionado pela família, que mora no município vizinho, e que estava sem contato com Washington todo esse tempo.

O comandante, Anderson Jociel da Rosa, acredita que o idoso não resistiria mais uma noite, pois já sofria hipotermia, e o volume de água não parava de subir.

O cão foi encaminhado a um abrigo provisório, enquanto Washington foi hospitalizado.

"Eu não queria sair sem o Urso. Eu tenho ele há seis meses apenas, mas é o meu único companheiro na casa. Não poderia abandoná-lo".

O cachorro e as baixas temperaturas


Instintivamente, muitos cães, ao perceberem que o dono encontra-se em dificuldades, começam a imaginar um jeito de ajudar.

Às vezes, em locais onde a temperatura é muito baixa, o ser humano pode sofrer acidentes fatais.

O corpo humano não é projetado para resistir a temperaturas muito hostis.

São inúmeros os relatos de morte em condições adversas, seja pelo frio intenso, ou avalanches de neve ou, ainda, pela fome.

Por outro lado, há vários outros relatos que expõem a capacidade do cão em sustentar a vida humana durante o tempo necessário ao aparecimento de auxílio.


A maioria dos cães suporta bem baixas temperaturas. O pelo do cachorro, muitas vezes duplo e espesso, é uma capa protetora invejável.

Além disso, o animal tem uma super-audição, conseguindo perceber a chegada das equipes de resgate à quilômetros de distância, guiando-as ao local do acidente.

Adestramento de Cães traz, hoje, alguns relatos de cachorros que mantiveram vivos seus donos, aquecendo-os enquanto aguardavam pelo socorro.


Acidente de carro

Em abril deste ano, Herbert Schutz, morador da cidade de Rylstone, na Austrália, sofreu um acidente de carro, ficando com a parte inferior do corpo presa às ferragens.

Durante 4 dias o idoso de 76 anos ficou à espera de socorro, sem comida ou água, contando apenas com a ajuda de Boydy, seu mascote.

O cachorro teria se deitado em seu peito, aquecendo-o durante a noite.

Ao ser encontrado pelo vizinho, Herbert contou o que havia acontecido e como seu companheiro o salvara da hipotermia.

Herbert foi hospitalizado, mas recuperou-se logo.

A menina e o cachorro

Em março deste ano, na Polônia, uma menina de 3 anos de idade estava brincando no jardim dos fundos de sua casa, quando resolveu entrar em um bosque próximo.


Júlia perdeu-se e caiu em um pântano, onde passou a noite.

Cerca de 200 pessoas saíram em grupos para encontrá-la, mas somente seu cachorro conseguiu achá-la.

Segundo a equipe de bombeiros, naquela noite a temperatura era de - 5°C, e a criança certamente não teria sobrevivido se não contasse com a ajuda do animal.


Júlia foi encontrada pela manhã, abraçada no seu cachorro que a mantivera aquecida pelas longas horas da noite.

O animal, que não teve seu nome revelado, latia insistentemente, sem abandoná-la, e seus latidos atraíram as equipes de resgate.

Para se ter uma ideia do frio que a criancinha passou, Júlia foi hospitalizada com diversas queimaduras no corpo.

A família disse não se surpreender que, das 200 pessoas, apenas o cão a tenha encontrado. "Eles são praticamente inseparáveis".

Old Barry

Para quem não o conhece, Old Barry é o mais famoso cão São Bernardo da Europa.

Utilizado durante muito tempo em operações de resgate, Old Barry foi responsável por mais de 40 salvamentos na neve, no início do século passado.

Seu corpo atualmente repousa no museu de Berna, na Suíça.

A serviço dos monges daquele país, o cão patrulhava uma extensa faixa de neve, suportando temperaturas de até - 20°C.


Ao encontrar pessoas feridas ou inconscientes, o animal dava o alarme, uivando e latindo durante horas a fio, enquanto aquecia o enfermo com seu próprio corpo.

Os outros animais do mosteiro ouviam os latidos e guiavam o socorro até o local.

O ouvido afiado de Old Barry, comum na raça, o permitia perceber o ruído das avalanches de neve muito antes do ouvido humano. Além disso, conseguia farejar as vítimas sepultadas pela neve a vários metros de profundidade.


Como o São Bernardo tem um grande senso de orientação, Old Barry encontrava facilmente o caminho de volta mesmo sob grandes nevascas, com baixa visibilidade e com os caminhos todos tapados de neve.

Old Barry também possuía uma grande intuição, que o fazia resolver problemas rapidamente, tomando decisões na maioria das vezes acertadas.

Dentre seus inúmeros salvamentos, o cão teria encontrado, certa vez, uma criança perdida em meio a uma terrível tempestade de neve.

Horas, depois ele chegava ao mosteiro com o menino montado nas suas costas, são e salvo.

Fidelidade

Como demonstrou o idoso Washington, uma grande amizade deve ser protegida a todo custo.

A convivência entre humanos e cães é repleta de atos de heroísmo, de ambas as partes.

E se, eventualmente, escutamos histórias macabras, em que animais são sacrificados por motivos fúteis, também descobrimos motivos para crer que essa parceria ainda vai durar por muito tempo.

Até Breve!